Erika Prado: Transformando Dor em Propósito e Cuidado Ancestral

A história de Erika Prado, doula especializada em cuidados ancestrais, é um exemplo de como a dor pode ser transformada em propósito. Após perder seu segundo filho devido à violência obstétrica, Erika prometeu a si mesma que nenhuma mulher passaria pelo mesmo sofrimento sem ter o apoio e o cuidado que ela não teve. Hoje, com sua atuação como doula, ela oferece acolhimento no momento mais vulnerável da vida de uma mulher: o parto.
Seu trabalho vai além do acompanhamento técnico, incorporando a tradição e os saberes ancestrais que resgatam a essência do cuidado. Mesmo enfrentando resistência dentro do sistema obstétrico — onde a presença das doulas ainda não é plenamente aceita — Erika está abrindo caminhos e conquistando espaço com dedicação e perseverança.
Erika encontrou na Rede Sergipana de Mulheres Empreendedoras um novo olhar sobre seu papel como profissional. Ao se perceber empreendedora, ela descobriu o valor do seu trabalho e aprendeu a precificar seus serviços de forma justa, reforçando que o cuidado com o outro também é uma forma de sustento e crescimento pessoal.
Nesta entrevista, Erika compartilha sua trajetória de superação, os desafios do mercado e como sua prática promove um equilíbrio entre o toque humano e as possibilidades da tecnologia.
Entrevista
1. O que a motivou a seguir o caminho do cuidado como doula?
R: Minha motivação veio da dor. A morte do meu segundo filho, devido à violência obstétrica, me fez prometer que nenhuma mulher passaria pelo que eu passei. Meu propósito nasceu desse momento tão difícil, e hoje dedico meu trabalho a oferecer acolhimento e cuidado para mulheres no momento mais vulnerável de suas vidas.
2. Como a Rede Sergipana de Mulheres Empreendedoras impactou sua visão sobre empreendedorismo?
R: A Rede me mostrou que, sim, eu sou empreendedora. Cuidar de mulheres é mais do que um propósito; é também um trabalho que tem valor e que merece ser reconhecido e precificado. Esse aprendizado mudou minha percepção sobre minha própria trajetória e me deu a confiança para enxergar o valor do que faço.
3. Quais são os maiores desafios de ser uma doula em um mercado ainda em construção?
R: Não considero nem fácil, nem difícil, mas desafiador. Ainda há resistência por parte de alguns profissionais de saúde, especialmente obstetras, em aceitar a nossa presença. Porém, estou vendo o espaço das doulas crescer cada vez mais, o que me motiva a continuar.
4. Como você integra a tradição e a tecnologia no seu trabalho?
R: Meu trabalho se baseia no toque, na conversa e nos rezos, respeitando a essência do cuidado ancestral. No entanto, a internet é uma ferramenta poderosa que me permite atender gestantes em qualquer lugar do mundo, conectando-me a elas de forma prática e eficiente.
5. Como o trabalho como doula transformou você pessoalmente?
R: Tornar-me doula foi um reencontro comigo mesma. Cada história vivida ao lado das gestantes e suas famílias me trouxe novas lições e me reconectou com o divino. Hoje, eu me reconheço através do trabalho que faço, encontrando propósito e força em cada parto que acompanho.
A trajetória de Erika Prado é um lembrete do poder transformador do cuidado, que une tradição, inovação e humanidade. Através de sua prática, ela não apenas acolhe mulheres, mas também inspira outras a reconhecerem o valor do cuidado como força transformadora


Fotografia: Rafael Borgatto
