
A nutricionista Kátia Lima, formada pela Universidade Federal de Sergipe, encontrou no empreendedorismo uma forma de unir paixão, tradição e inovação. À frente da Bulgaria, um empreendimento familiar que entrega pães de fermentação natural e tortas búlgaras sem farinha, Kátia transformou um passatempo em um negócio que valoriza tanto o sabor quanto a arte ancestral da panificação.
Sua história com o projeto começou em 2009, quando seu marido, Lúcio, iniciou a produção das tortas búlgaras, e ela percebeu o potencial de expandir a ideia. A Bulgaria, com nome e estratégia definidos em 2015, ganhou ainda mais relevância durante a pandemia, quando a produção artesanal de pães tornou-se a principal atividade do casal. O método tradicional de fermentação, que exige entre 48 e 72 horas para maturar cada pão, reflete o compromisso com a qualidade e o respeito aos processos naturais.
Hoje, Kátia divide sua rotina entre o cuidado com cada detalhe do negócio e sua própria evolução pessoal e profissional. Integrante da Rede Sergipana de Mulheres Empreendedoras, ela descobriu o valor do trabalho colaborativo e a importância de reconhecer seu papel como mulher empreendedora em um mercado desafiador.
Nesta entrevista, Kátia compartilha como superou crenças limitantes, a importância da Rede em sua trajetória e como a Bulgaria se tornou um espaço de aprendizado e realização.
Entrevista
- Quais foram os principais desafios que enfrentou ao dar os primeiros passos no seu negócio?
Resposta: Minhas crenças limitantes não me deixavam ser empreendedora porque cresci ouvindo dos meus pais: ‘a gente não tem sangue pra negócio!’. Acredito que, por não me achar capaz de empreender, ignorei o fato de que tudo o que eu fazia era papel de uma empreendedora.
- Como o apoio da Rede influenciou sua visão sobre empreendedorismo e seus objetivos de crescimento?
Resposta: Antes de entrar para a Rede, eu não tinha noção de que era empreendedora. Pensava que apenas ajudava meu marido a vender suas delícias. Mas, ao longo do tempo, as encomendas foram surgindo espontaneamente, e comecei a organizar fornadas semanais. Na Rede, percebi que estava por trás de todas as tarefas administrativas da Bulgaria: pesquisas, planejamento, atendimento, e controle financeiro e contábil. Foi um verdadeiro despertar!
- Como é, para você, a experiência de ser uma mulher empreendedora em um mercado ainda dominado por homens?
Resposta: A representação feminina no mundo dos negócios abre portas para as próximas gerações e cria ambientes de trabalho mais inclusivos e humanizados. Vivenciar essa troca na Rede me mostrou como juntas superamos desafios e criamos soluções. A rivalidade feminina é uma invenção que nos afastava, mas, quando nos unimos, nossas vozes ecoam mais longe.
- Como você integra inovação e tradição no desenvolvimento do seu produto ou serviço?
Resposta: Na Bulgaria, usamos o método clássico de fermentação natural, que respeita o tempo necessário para desenvolver sabor e textura. Isso preserva a arte ancestral da panificação, além de trazer benefícios como menor índice glicêmico e melhor digestibilidade. Ao mesmo tempo, utilizamos redes sociais e aplicativos para conectar os clientes a esse processo tão especial.
- Como seu empreendimento contribui para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?
Empreender na Bulgaria me ensina resiliência, paciência e constância todos os dias. A fermentação natural exige espera e atenção, mas também alimenta minha criatividade. Adoro criar cards e textos informativos e atender as pessoas como eu gostaria de ser atendida. A Bulgaria me impulsiona a crescer, pensar e conectar com pessoas maravilhosas, além de planejar e focar nos resultados.


Fotos: Rafael Borgatto
